← Voltar à página inicial de Conímbriga Tickets
A muralha defensiva tardo-romana de Conímbriga, que corta a cidade escavada mais antiga Acesso prioritário disponível

A História de Conímbriga

De castro da Idade do Ferro a município romano, à muralha de emergência e ao saque dos Suevos — a cronologia completa.

Atualizado em julho de 2026 · Equipa de Concierge de Conímbriga Tickets

Conímbriga tem uma das histórias mais límpidas e dramáticas de todos os sítios de Portugal: um castro da Idade do Ferro que floresceu como próspera cidade romana, preparou-se para a queda do império erguendo uma muralha que cortou as suas próprias ruas, foi saqueada pelos Suevos e, depois — ponto crucial — nunca mais foi reconstruída por cima. Este guia apresenta a cronologia factual.

Antes de Roma — os Cónios e o nome

O planalto de Conímbriga foi ocupado desde cerca do século IX a.C., na Idade do Ferro, pelos povos indígenas Cónios e pelas comunidades da cultura castreja. O nome guarda esse passado pré‑romano: conim, que significa lugar de altura rochosa, unido a briga, o sufixo celta para cidadela. Quando as forças romanas alcançaram o centro da Lusitânia por volta de 139 a.C., durante as campanhas de Décimo Júnio Bruto, Conímbriga já era um povoado muralhado e consolidado.

A sua localização foi determinante. Conímbriga situava‑se na via romana que ligava Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), passando por Aeminium — a povoação vizinha que mais tarde se tornaria Coimbra. Esta estrada, e a fertilidade da região envolvente, prepararam a cidade para prosperar sob o domínio romano.

A cidade romana — séculos I a III

Sob Roma, o povoado foi reorganizado segundo um traçado formal e cresceu rapidamente. Entre 69 e 79 d.C., o imperador Vespasiano elevou Conímbriga à categoria de município, desencadeando um ambicioso programa construtivo: um fórum monumental com basílica e templo, termas públicas abastecidas por um aqueduto de quase três quilómetros desde as nascentes de Alcabideque, um anfiteatro, ruas com colunatas e grandes casas senhoriais. No seu auge, a cidade terá acolhido cerca de 10 000 habitantes.

Famílias de colonos vindos da península Itálica aqui se fixaram e uniram‑se pelo casamento às linhagens lusitanas, e a arqueologia capta essa próspera sociedade híbrida na pedra, no vidro e no mosaico. As maiores casas — a Casa dos Repuxos, edificada no século II, e a imensa Casa de Cantaber — datam deste longo período de confiança, e os seus mosaicos contam‑se entre os mais refinados da Península Ibérica.

A muralha e a queda

Quando o Império Romano começou a sofrer pressões no final do século III, os habitantes ergueram uma imponente muralha defensiva em torno de um núcleo reduzido de Conímbriga — e, na urgência do momento, fizeram‑na atravessar casas, ruas e monumentos existentes, demolindo parte da sua própria cidade e reaproveitando a pedra. A muralha, que corta de forma visível construções anteriores, é o traço mais eloquente do sítio: uma cidade a preparar‑se para o fim.

A muralha atrasou, mas não evitou a catástrofe. Entre 465 e 468, os Suevos saquearam Conímbriga; o cronista do século V, Idácio, registou o acontecimento, incluindo a captura da família de Cantaber, um dos principais cidadãos da cidade. Os habitantes foram mortos, escravizados ou dispersos, e a cidade iniciou um longo declínio.

Abandono, redescoberta e o museu

A sede episcopal estabelecida em Conímbriga no século VI foi transferida para Aeminium por volta de 589; Aeminium adotou o antigo nome, tornando‑se Coimbra, e floresceu como centro regional enquanto Conímbriga se esvaziava. Por nunca ter sido sobreposta por uma cidade medieval ou moderna, a paisagem urbana romana sobreviveu, ao contrário de outras soterradas sob séculos posteriores.

Conímbriga foi classificada como Monumento Nacional em 1910. As escavações sistemáticas dos séculos XIX e XX revelaram o fórum, as casas, as termas e as muralhas, e o Museu Monográfico no local foi criado para acolher e expor os achados — moedas, vidros, cerâmicas, escultura, inscrições e uma notável coleção de instrumentos cirúrgicos romanos. Hoje, as ruínas, a reserva arqueológica e o museu visitam‑se em conjunto como a maior e mais completa cidade romana de Portugal. Integra a lista indicativa de Portugal para a UNESCO, embora ainda não seja um sítio inscrito como Património Mundial.

Perguntas frequentes

Que idade tem Conímbriga?

O local foi ocupado desde cerca do século IX a.C. por comunidades indígenas dos Conii e da cultura castreja, muito antes de os Romanos chegarem, por volta de 139 a.C. Tornou-se um município romano sob Vespasiano, entre 69 e 79 d.C., e floresceu até ao século III.

O que significa o nome Conímbriga?

Une conim, palavra pré-romana para um local de altura rochosa, a briga, o sufixo celta que significa "cidadela". A cidade vizinha de Aeminium adotou mais tarde este nome e tornou-se Coimbra.

Quem destruiu Conímbriga?

Os Suevos, um povo germânico instalado no noroeste da Península Ibérica, saquearam a cidade entre 465 e 468 d.C. O cronista Idácio registou o acontecimento, incluindo a captura da família de Cantaber, um residente importante.

Por que razão Conímbriga está tão bem preservada?

Porque nunca foi reconstruída por cima. Após o saque pelos Suevos, a população dispersou-se e o centro regional mudou-se para Aeminium (Coimbra), deixando a paisagem urbana romana nos campos, em vez de ficar enterrada sob uma cidade medieval ou moderna posterior.

Conímbriga era uma cidade grande?

Para os padrões da Lusitânia romana, sim — no seu auge, albergava cerca de 10 000 pessoas, com fórum, termas públicas, um aqueduto, um anfiteatro e grandes casas privadas. É uma das maiores cidades romanas escavadas em Portugal.

Conímbriga é Património Mundial da UNESCO?

Ainda não — é Monumento Nacional português (desde 1910) e figura na lista indicativa de Portugal para a UNESCO, mas não está inscrita como Património Mundial. A vizinha Universidade de Coimbra, a 16 km, está inscrita, e combinam na perfeição num só dia.